O tema do desfralde é uma dor de cabeça para muitos pais, porque se para alguns até corre muito bem, para outros o processo pode ser mais demorado. A verdade é que cada criança tem o seu ritmo e, embora possa haver momentos de desespero, em que apetece desistir (como me aconteceu), é importante manter a calma para não passarmos o nosso nervosismo para os pequeninos que absorvem tudo o que possamos estar a sentir.
Comecei o desfralde da Laura em Maio, para mim a altura indicada porque tinha mais tempo para acompanhar devidamente o processo, a temperatura começou a subir e porque como mãe senti que a minha filha estava pronta a nível fisiológico e a nível emocional para isso. No entanto, não foi fácil e a coisa não se resolveu logo em 2, 3 dias, como cheguei a ler testemunhos de mães que descreviam como bem sucedidos os seus filhos tinham sido. Senti até que deveria haver algum problema... Então, havia crianças a perceber o processo todo em 2 dias?! Mantive a calma, respirei fundo muitas vezes e percebi, finalmente, que até pode haver bebés a largar a fralda com 12 meses, com 15, com 24, com 36. Não interessa. O que interessa é que cada caso é um caso e ler relatos de sucesso fantástico como esses, por vezes, simplesmente, não ajuda!
Adoptei algumas estratégias para facilitar o processo e deixo aqui algumas dicas que poderão ser úteis para alguma mãe/pai desesperada (o).
1º Antes de iniciar o processo, expliquei-lhe o que ia acontecer, que ela estava a a crescer, que em breve ia para a escolinha e que iria deixar de usar a fralda. Mostrei-lhe as cuequinhas e disse-lhe que passaria a usá-las em vez da fralda. Expliquei ainda que a fralda só iria ser usada à noite.
2º Por redundante que possa ser escrever isto, é importante não perder a calma com a criança, pois afinal de contas está a aprender algo totalmente novo, usa fraldas desde que nasceu e é uma aprendizagem que pode algo demorada. É um processo delicado e é importante não o tornar numa actividade traumática para a criança, que deve sentir que tem o apoio dos pais nesta nova fase. Ralhei por vezes à minha filha, pois aconteceu algumas vezes levá-la ao penico e ela não fazer nada para logo a a seguir (e quando digo logo a seguir, é mesmo logo a seguir) fazer um enorme chichi. Ralhei. E depois senti-me culpada e abracei-a, explicando-lhe que juntas íamos conseguir fazer isto resultar. E a partir daí, não sei se por ela sentir que não estava só neste processo, tudo funcionou de modo diferente.
3º Coloquei o redutor numa casa-de-banho (rés-do-chão) e o penico na outra. Em vez de andar com o penico sempre atrás de nós, íamos a correr para a casa-de-banho mais próxima. No início, a minha filha preferia o redutor, agora prefere o penico, porque sente que ela controla algo neste processo (deitar fora o que fez no penico) e puxar o autoclismo (o que funciona para o redutor também, naturalmente). Se eles sentirem que têm um papel no processo e que estão mais crescidos por fazerem tarefas de "adultos" é um ponto a favor para que as coisas corram bem.
4º Pequenas recompensas. No dia em que a minha filha fez um cocó no penico (quando somos pais, temos temas tão interessantes como cocó, chichi e vómitos, é verdade!), tive que improvisar à pressa uma pequena recompensa para que ela se sentisse incentivada e motivada a repetir o feito! Tinha uma caderneta de autocolantes que já tinha comprado há muito no Jumbo e dei-lhe dois para ela colar num bloco de notas (também improvisado). Foi um sucesso! Ficou felicíssima por receber uns pequenos autocolantes e tornou-se um tesouro muito estimado (a lista dos colantes, como ela lhe chama). Um autocolante para o chichi e dois para o cocó.
5º Para a incentivar a utilizar o penico, as suas bonecas também aprenderam a ir ao penico e foi a minha filha que lhes ensinou. Primeiro, a Nancy, depois a Branca de Neve e agora a Laura. Isso ajudou-a e fê-la encarar o processo com mais diversão.
6º Finalmente, no primeiro dia levei a minha filha ao penico de 15 em 15 minutos. Senti-me a enlouquecer um pouco, porque a nossa vida fica centrada no desfralde: sempre a correr para a casa-de-banho embrutece um pouco. No 2º dia levei-a de 30 em 30 minutos e assim continuei por alguns dias até perceber que ela já estava a interiorizar o processo. Neste momento, e decorridas três semanas, é ela que me avisa que precisa de ir à casa-de-banho.
Muita calma, muito amor, muita paciência nesta fase que pode ser muito esgotante.

